Durante um papo de boteco, em um mochilão desse verão, eu falava a respeito das modinhas que me deparei viajando... E debatendo, levantei uma ideia: e se a gente guardasse essas modinhas em uma cápsula do tempo e olhasse depois de um ano quais tendências vingaram ou evaporaram?

Pois bem, então vamos fingir que esse post é a tal cápsula do tempo. Vou listar aqui as modinhas desse Verão 2015, que encontrei percorrendo as praias por aí e daqui há um ano, a gente vê no que isso tudo deu.

A princípio, impossível não falar do pau de selfie. Aliás, a discussão sobre o nome já virou modinha, né? "É pau ou é bastão?". Ah, que medo é esse de piadas de duplo sentido e do politicamente incorreto?!

O pau ou bastão de selfie (tanto faz) é bem útil. Mas pra mim serve mais pra tirar fotos em grupo, porque quando estou sozinho, esticar o braço já me serve o bastante. A não ser no Cristo Redentor, onde tem dia que todo mundo se acotovela, e não há espaço nem pra esticar o braço. Mas eu acho que essa modinha dura.

Outra modinha é a sofrência. Peraí? Não sabe do que eu tô falando? Então em que raio de caverna você passou o fim de ano e o carnaval, que não ouviu Cristiano Araújo? Israel Novaes? Pablo do Arrocha? Pode ser que você odeie, mas Porque Homem Não Chora do Pablo bombou nos trios de Salvador, em blocos do Rio, no carnaval universitário em Ouro Preto (MG) ou Diamantina (MG)... E passando por São Paulo há pouco tempo, soube até de uma banda que fez uma versão metal. A banda é a Seven Seals of The Apocalypse:



Eu acho que a "sofrência" vingará, ou no mínimo vai ganhar umas variantes... Quem sabe vira "sofrência universitária" ou "sofrência ostentação"? Deve perdurar também no histórico do seu WhatsApp, com os vários vídeos repassados por aí sob a trilha sonora de Pablo, como esse:



Food Truck! Se você não gosta de modinhas, fica a sugestão pra dar o braço a torcer aos food trucks. Pra quem não conhece, a tendência é meio que uma repaginada naqueles antigos trailers de lanches, mas com um algo a mais, já que servem tanto lanches quanto comida gourmet, por um preço mais tranquilo.

Acho que vai perdurar pela forma que os food trucks tem se organizado, sobretudo com eventos, como o 1º Encontro Nacional de Food Trucks, que rolou durante o primeiro finds de fevereiro no Rio, com trucks de RJ, SP, BH e Brasília. Tem rolado um esforço também pra manter os food trucks regularizados, e pra quem tiver na vibe de montar um pesquise a Lei 15.947/2013 em SP, e a PL 808/2014 no RJ.



Da série modinhas que talvez não passem desse verão, minha aposta são as paletas mexicanas, que sinceramente, eu não sei se vieram pra disponibilizar uma sobremesa diferente, ou pra cobrar mais caro por um picolé.

Se você passar por Vitória (ES) ou Vila Velha (ES), vale mais experimentar um picolé ou sorvete da Ajellso, famosos na região e baratos. E eu sei também que já tem tanta gente comentando os altos preços das paletas, que acabou virando esquete do Porta dos Fundos, no vídeo "Sorvete".



Agora, minha dúvida se vai durar ou não é modinha do stand-up paddle (SUP), o surf a remo, porque é uma atividade bastante agradável e segura, pra quem tem dificuldade de se adaptar a outros esportes de prancha, como surfe, body board ou kitesurfe. Afinal, como a prancha é maior e mais fácil de equilibrar, basta subir e remar.

Minha previsão pro stand-up é que a modinha vai passar pros mais empolgados, mas fica pra aqueles apaixonados por esporte ou adeptos de aventura. Falando nisso, uma amiga de São Sebastião (SP) me disse que é fácil diferenciar quem é modinha dos verdadeiros praticantes de stand-up paddle: só os modinhas chamam o esporte de "stand-up paddle", pois os praticantes pra valer chamam apenas de "SUP"!


Se você está à espera de grana pra dar um rolê de trem pela Europa, saiba que tem como ter um gostinho dessa jornada aqui no Brasil, gastando bem pouco. Ainda que não exiba tanto luxo ou a velocidade dos trens europeus, a Estrada de Ferro Vitória-Minas (EFVM) satisfaz quem viaja com uma experiência rara e bem agradável, e eu vou dizer porquê.

O primeiro motivo é a chance de poder cruzar dois estados de trem, viajando de MG até o ES, algo que é um privilégio em um país que investe muito pouco em malhas ferroviárias para passeio.

O trem percorre 664 quilômetros, entre Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES), parando em dezenove cidades mineiras e seis cidades capixabas, onde se espalham as 32 estações.

Até 1998, era possível viajar do RJ até SP, através do chamado Trem de Prata. Mas os problemas de manutenção, o serviço ruim e o preço alto das passagens deram fim à jornada.



Falando nisso, o valor da passagem é um atrativo e tanto. Enquanto a viagem de ônibus convencional de BH à Vitória sai na faixa de 90 dilmas (com as sacudidas das curvas da BR-262), de trem o bilhete na classe executiva custa 91 dilmas, e na econômica apenas 58 dilmas.

Outra vantagem é que a Vale do Rio Doce, que mantém o passeio, trocou os vagões por uma frota mais confortável e mais prática que a anterior.

Depois da mudança, todos os vagões agora têm tomada, poltrona reclinável mais espaçosa (aleluia!), e uma mesinha de apoio pra notebook ou refeições. Pra ficar perfeito só faltava uma internet wi-fi. Fica aê a dica, que tá difícil se contentar com o 3G, que só funciona nas paradas das estações.



Entre os vagões, o carro-restaurante quebra um grande galho. Diferente dos busões, que a gente tem que esperar horas pra chegar em algum posto pra comer, no trem da EFVM dá pra comer de boa, nas mesinhas do restaurante. O cardápio não foge muito da comida de beira de estrada, mas ao menos não é uma facada como nos postos da Graal.

Comparando também com ônibus, mais um benefício é a questão da higiene e limpeza. O trem conta com uma galera que mantém os banheiros sempre limpos, tirando aí o risco de mal cheiro ou surpresas desagradáveis.

Agora, para os Flickeiros e Instagramers, vamos a melhor parte, que é paisagem natural com vales e montanhas pra registrar em fotos, ao redor do Rio Doce, ponto de convergência que liga os dois estados e atravessa a maior parte da ferrovia.



Se a intenção é só fotografar, a sugestão é fazer o trajeto que sai de Belo Horizonte, já que é em MG que você encontrará o melhor panorama, enquanto o dia ainda está claro, e saindo de Vitória, você perderá as paisagens mais interessantes na chegada ao anoitecer em BH.

Pouco depois de Belo Horizonte, o primeiro click pode ser feito na Serra do Gongo Soco, no município de Barão de Cocais. Tente sentar do lado direito do comboio, ou vá para uma das partes abertas entre um vagão e outro, onde é possível avistar a mina a céu aberto que impressiona pela imensa cratera cravada por corredores, utilizados para a extração de minério.

Na sequência, antes da estação João Monlevade, entre as cidade de Santa Bárbara e São Gonçalo do Rio Abaixo, outro ponto bacana é a Ponte do Peti. Com dimensões de 30 metros de altura e 428 metros de comprimento, a ponte chama a atenção pela imponência dos pilares sobre as águas da represa da Usina Hidrelétrica do Peti.



Depois de cruzar mais vales e túneis, o ponto alto quando o trem se aproxima da divisa entre MG e o ES. Ainda na parte mineira, há a represa de Aimorés, que reflete bem as formações rochosas que a cercam e o céu, que dependendo da época e do tempo, pode te presentear com variados tons de laranja no momento em que o trem passa, lá pelo fim da tarde.



A escolha da parada final é outro fator que serve como algo a mais pra fazer valer a viagem, mas neste caso, o roteiro é ao seu gosto. Você pode fazer um tour pelos pubs de rock de BH, desfrutar da gastronomia de Vitória, rica em pescados, fast-food e comida de boteco, pegar uma trilha pra subir o Pico do Ibituruna em Governador Valadares (MG), ou descer em Ibiraçu (ES) e ficar um dia pra conhecer o mosteiro zen budista. Opções não faltam.

Como desenlace, tenho que falar que a maior razão pra fazer esse passeio é curtir a experiência. O que eu quero dizer com isso? Desencane dessa vibe ansiosa de atravessar o tempo pra chegar logo de uma vez, leve uma companhia, um bom livro ou uma boa playlist no smartphone, e curta o momento!

O trem sai todos os dias de Belo Horizonte às 7:30h, e às 7 horas em Vitória. Compre a passagem online ou na véspera, pra não pegar fila na bilheteria logo cedo. Como já frisei, não se desespere, pois são 13 horas de chão. A velocidade máxima do trem da EFVM é de 65 km/h e não pode ser mais rápido, porque a ferrovia é usada pra cargas pesadas, o que exige uma velocidade reduzida.

Aqui vai uma lista de A a Z, pra você compreender São Paulo melhor, e captar porque essa cidade "da hora" é tão cheia de atrativos, hoje, no dia do 461º aniversário da cidade.

ARTE E CULTURA: A Paulicéia é a terra da Bienal de Arte, da Bienal de Design, da Pinacoteca, de mais de 170 galerias de arte, da Brasil Comic Con, dos concertos da Sala São Paulo, das 282 salas de cinema, de 9 cineclubes e de incontáveis interferências urbanas, dos painéis eletrônicos ao marcante graffiti.


BOÊMIA E BALADA: Os números também impressionam com 20 mil bares e 184 casas noturnas, mas o interessante mesmo é poder virar a noite bebendo, dançando ou curtindo alto e bom som, ao seu gosto, do Baixo Augusta à Vila Madalena, até a noite terminar, como em nenhuma outra cidade do país.

CPTM: Pode ser caro, e a hora do rush é um verdadeiro inferno, mas os trens e metrôs facilitam bastante a vida de quem mora perto das 67 estações de metrô, distribuídas em cinco linhas e comandadas pela Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).


DECOLAGENS E DESEMBARQUES: Você pode odiar São Paulo, mas a cidade muitas vezes é um destino inevitável pra quem quer decolar ou vai desembarcar para uma outra cidade ou país. Em 2014, os aeroportos de Congonhas, Guarulhos e Viracopos tiveram um fluxo de quase 170 mil desembarques por dia, enquanto o volume diário do Terminal Rodoviário de Tietê gira na faixa de 90 mil pessoas.

ESTILO: Sendo a sede do maior evento de moda do país, a São Paulo Fashion Week, Sampa não podia passar diferente em relação ao estilo e provavelmente é a cidade brasileira onde o modo se vestir está mais ligado à atitude e ao comportamento.


FUTEBOL: A Terra da Garoa certamente também é a Terra do Futebol. No Pacaembu, o passeio é completo, com a visita em volta do campo e no Museu do Futebol recheado de histórias e atividades interativas, mais o chopp do bar O Torcedor e a loja Roxos e Doentes. Independente do clube que você torça, também vale conhecer o Morumbi, estádio do São Paulo, ou as novas arenas do Corinthians ou Palmeiras, e a história dos três clubes. Pros mais fanáticos, uma passada no Canindé (da Portuguesa), na Rua Javari (do Juventus) ou na Comendador Sousa (do Nacional) mostram um lado mais saudosista e romântico do futebol da capital.



GASTRONOMIA: Tá com fome de pizza? Pastel de feira? Feijoada? Sushi? Ou pretende fugir dos clichês e tem vontade de experimentar a culinária croata ou grega? Seja qual for a pedida, São Paulo tem e faz jus ao título de "capital gastronômica do Brasil".


HOTELARIA: Além dos 410 hotéis, São Paulo já possui uma gama de 70 hostels espalhados pela cidade, mais que o triplo registrado no fim de 2011, quando eram apenas 22 hostels.

IMIGRAÇÃO: Um dos fatores determinantes pra uma cultura tão diversificada como a de São Paulo é a imigração, que veio de vários lugares, de forma bem intensa. Até 1914, a cidade abrigou 800 mil italianos. Dados de outros povos indicam que até 1920, haviam chegado 500 mil espanhóis e no começo do século passado, mais de 150 famílias japonesas se instalaram na região. Pra entender a história, visite o vasto acervo do Memorial do Imigrante, no bairro italiano da Mooca.

JARDINS: Uma das áreas mais valorizadas da cidade, a região dos Jardins é onde se concentram alguns dos mais badalados restaurantes, em torno da Rua Bela Cintra, e atrações da noite, pela Rua Augusta, além das grifes da Rua Oscar Freire, pra quem se liga em moda.


KART: Pra variar o contexto desse post, uma dica: se estiver com galera e tempo livre, dê um rolê de kart em uma das sete pistas da cidade. A melhor opção é o Interkart, no estacionamento coberto do Shopping Interlagos. Como é perto do Autódromo de Interlagos, é possível aproveitar e fazer um passeio na famosa pista de Fórmula 1.

LOJAS: Sem dúvidas, é a cidade favorita das compras, com suas 240 mil lojas, 53 shopping centers, além do comércio popular de rua, na região da 25 de Março ou no Brás.

MUSEUS: Pra entender a história e captar a arquitetura da cidade, participar de atividades interativas e apreciar amostras de arte, São Paulo possui 125 museus, onde o MASP, o Museu do Ipiranga, o MAC, o Museu da Língua Portuguesa, o MIS, o MAM e o Museu de Arte Sacra se encontram nas listas dos mais requisitados.



NEGÓCIOS: Não é à toa que São Paulo é conhecida como a capital dos negócios no Brasil. Boa parte das operações financeiras que movem o país acontecem em São Paulo, que é a casa dos maiores bancos e maiores multinacionais presentes na América Latina, recebendo feiras e eventos importantes todos os anos, como o Salão do Automóvel e a Campus Party.


O'MALLEY'S: Se os pubs estão em voga pelo Brasil afora (até aqueles que não são pubs de verdade), com certeza o O'Malley's vai resistir qualquer modinha e se manter firme e fiel às tradições britânicas, como o pint de cerveja sob pressão, o guisado irlandês de cordeiro, rock n' roll e blues ao vivo, e a transmissão de rugby e futebol inglês. A casa tem quase trinta anos e é uma boa pra quem também curte assistir aos jogos de NFL, NBA ou NHL.

PARQUE IBIRAPUERA: Entre seus 103 parques e áreas verdes, o que mais chama a atenção é o Ibirapuera. Com 1,6 milhão de m², o parque apresenta além da área verde e lagos, áreas para shows, restaurantes e exposições, como é o caso do Museu de Arte Moderna (MAM), o Pavilhão da Bienal e a Oca.

QUITANDAS: Quitanda foi a palavra-chave que encontrei pra falar do Mercado Municipal de São Paulo. Ao lado dos queijos, frios, frutas e temperos, pra quem é fã da baixa gastronomia, e não tem problemas cardíacos ou estomacais, o sanduba de mortadela gigante do Bar do Mané é o melhor de todos. Pra quem é chegado em comer pastel nas feiras livres, o pastel de bacalhau do Hocca Bar é uma boa, e quem tá de dieta, leva uma câmera e tire fotos dos vitrais com temas da era rural do início do século XX.

RUAS E AVENIDAS: Apesar de não ter um monumento notável como o Cristo Redentor ou a Torre Eiffel, ou paisagens naturais, como praias ou morros, São Paulo é lembrada por ruas e avenidas tão imponentes e vistosas, como a Avenida Paulista, a Rua Augusta ou a famosa Rua Ipiranga, aquela que cruza com a Avenida São João, na música Sampa, de Caetano Veloso.

SESC: Quer conhecer algum novo talento da MPB ou curtir um filme estilo cineart, por um preço bem acessível, as sedes do SESC (Serviço Social do Comércio) podem ser uma boa. As recomendações... o CineSesc da Augusta, que vende um pãozinho de tapioca irado, e os shows do SESC Pompéia, que também tem choperia.

TEATRO: São Paulo é a capital do teatro, tem gêneros como musicais, dramas e blá blá blá... e ao invés de registrar mais números, vou deixar outra dica. Como as comédias que estão na moda atualmente, vá no Teatro Renaissance, que lá rola o stand-up do Comédia ao Vivo já tem alguns anos. Fica no Jardins, e agora tá com Diogo Portugal, Fábio Rabin, Murilo Gun e Maurício Meireles.

USP: O campus da USP tem tanta coisa pra visitar que por um momento você até esquece que tá dentro de uma universidade, que é a maior da América Latina. Das melhores atrações, as mais legais são as obras de arte do MAC (Picasso, Miró, Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Portinari, entre outros), as peças indígenas do Museu de Arqueologia e Etnologia, os esqueletos de animais no Museu de Anatomia Veterinária e as pedras preciosas do Museu de Geociências.

VIRADA CULTURAL: A Virada Cultural é um dos eventos mais fodas de São Paulo, rolando de tudo um pouco, nos quatro cantos do centro da cidade. A maior parte do público se concentra nos shows que rolam em palcos na Avenida São João, na Estação Júlio Prestes, no Largo do Arouche e na Praça da República. Mas tem cinema, teatro, exposição, durante 24 horas, sem parar. Só é necessário ficar esperto com os assaltos, para quem vai sozinho ou muito arrumado.



WILD HORSE MUSIC BAR: Ao lado do Morrison, do Manifesto, do Café Piu Piu e do DJ Club, o Wild Horse se inclui na lista dos variados clubes com rock n' roll de primeira no último volume, preço tranquilo e boa bebida. A casa já tem oito anos e fica no bairro Moema, perto do Shopping Ibirapuera.

XÍCARA DE CAFÉ: No país dos apaixonados e viciados em café, Sampa serve cafés deliciosos até pra quem não gosta de café. Desde as mais badaladinhas, como a Starbucks e a Fran's Café, até as refinadas, com direito a barista, como a Coffe Lab e a Sofá Café, as cafeterias paulistanas valem a pena, nem que seja pra tomar só uma xícara.

YOI! ROLLS & TEMAKI: Aos apaixonados por comida japonesa, principalmente pelo sushi em formato de cone, na rede Yoi! Rolls & Temaki rolam um recheios gostosos. O melhor pra mim é temaki com salmão grelhado, amêndoas, sweet chilli e cream cheese, ponto alto do lanche. Tem umas vinte franquias espalhadas pela cidade.

ZICA: "Zica" é a gíria que mais me faz lembrar São Paulo. Já me disseram que um desavisado qualquer nunca entende quando "zica" é coisa ruim ou coisa boa, só o paulistano. Isso porque "zica" pode ser um adjetivo pra coisa boa ou ruim, equivalente a alguém legal ou azarado, tosco. Outras gírias comuns mais entre paulistanos, do que em outros estados, são as seguintes: "breja" = cerveja; "cola lá" = vai lá; "da hora" = legal, manero; "dar um rolê" = fazer um passeio, uma visita; "embaçado" = complicado; "firmeza" = bacana; "iaê, firmeza" = oi, tudo bem; "mano" = cara, amigo, rapaz; "mina" = garota, moça; "quebrada' = um lugar qualquer; "se pá" = se puder; "uma pá" = um monte, muitos.
No meio dos diferentes modos do brasileiro falar, os sotaques da Região Sudeste são os mais fáceis de identificar e aqueles que mais mudam de um estado pra outro, com exceção do ES, que eu vou explicar no fim.

Quando você ouve um mineiro, carioca ou paulista falando, já saca de primeira quem é quem. E eu fui perceber isso nas primeiras vezes que fui pra fora do sudeste, seja no nordeste e ou no sul.

Viajando, você confunde sotaque de baiano e cearense, vê uma jeito parecido entre gaúcho e catarinense... Porque eles misturam vocabulário, muitos trejeitos são os mesmos, e até a levada das palavras, coisa que não rola no sudeste, onde acontecem algumas particularidades de cada região.




Como uma vez em que fui pro Rio, e como tem muito gringo por lá agora, galera fala tudo em inglês... Eu chegando no meio de uma roda de conversa num bar, ouço a menina dizer "Why?"... E penso: "Ela disse 'why'? Ou eu ouvi mesmo um 'UAI'?!". Falei com a menina, ela caiu na gargalhada e confirmou ser mineira, além do orgulho do "uai". E ela tinha um inglês perfeito, mas foi impossível não perceber o sotaque.

Assim como o "qual é?" (no Whatsapp vira "koeh") do carioca ou o "firrrmeza" do paulistano, o "uai" mineiro é inconfundível. E além de ser o mais gostoso de se ouvir e falar, o vocabulário mineiro é o mais criativo, com alguns termos que só mineiro entende, como é o caso do "trem".

"Trem" é meio que um sinônimo de "coisa" em MG, ou seja, tudo é "trem", inclusive dentro do trem. Uma vez esperando o trem partir em BH, ouvi o camarada carregar uma mala cheia e dizer: "esse trem tá pesado!". Brinquei na hora: "peraí!? Mas qual 'trem' tá pesado? É a mala ou o trem??!"... E essa aí até dava pra entender, mas o difícil é entender o que é "marrado no toco", "biboca" ou "tô na rôia"...



Em algumas viagens, também percebo um lance legal que rola em carioca e o paulista da capital, chamado de paulistano. O pessoal de SP e do RJ não percebe que tem sotaque.

Já cheguei uma vez em um hostel de Salvador, e começando a conversar com uma menina, pergunto: "você é paulistana?". Ela não entendeu como eu percebi, e disse que sentia não ter sotaque.

Pois bem, expliquei que já tinha matado a charada quando ela disse "meeeooo" (meu), mas tem uma peculiaridade do sotaque paulistano que é a ênfase nas vogais "E" e "O", e nas consoantes "N" e "T" (além de puxar um pouco o "R"). Dá pra perceber bem quando falam em gerúndio, tipo "entendêndo", "atendêndo"...

E esse jeito de paulistano falar é bem interessante, porque é quase que uma viagem pra Itália ou um mergulho na história, no período em que a cidade recebeu muitos imigrantes. Essa ênfase que eu falei, você escuta quando um italiano fala. É "caspiTa", "malÊdÊTo", "ma cÔmÔ", "bÔm giÔÔÔRRno. O clássico "meeeooo" é muito Itália.




Agora, também é compreensível o paulistano ou o carioca não perceber que tem sotaque, porque as gírias de São Paulo ou do Rio são muito difundidas. Brasil afora, muita gente já incorporou o "mano", o "se pá" ou o "sussa" de Sampa, e também o "manero", "saquei" e o "boto fé" do carioca... Mas ainda assim, a entonação nas duas cidades é quase que única.

Mas digo a vocês também, que se tem uma gíria carioca que é só carioca, é o tal do "maluco". Certa vez, tava em um bar no Largo da Ordem com um carioca, lá em Curitiba, e ele comenta de um "maluco" gritando na rua. O cara tinha pinta de maluco mesmo, gritando pro nada: "Joãããooo, cadê vocêêêê?". Mas aí, o carioca chama o garçom "ô maluco!", me chama de "maluco", chama o taxista de "maluco", e aí um uruguaio quis entender qual era do "maluco", e o carioca explicou que "maluco" era gíria para "cara", "camarada", e por aí vai.

E pra mim, essa é a grande vantagem do carioquês, que o carioca fala sem frescura e sem medo de ser politicamente incorreto. E o melhor, por não ter frescura, carioca fala palavrão pra c******, levando numa boa. Já vi tiazinha chique de Copacabana falando no supermercado "me dá aqui essa bu****", sem a menor encanação ou sem a intenção de ser mal educada...



Mas quanto ao capixaba... É uma verdadeira incógnita. Eu sou capixaba, e já me disseram que eu falo "cantando igual baiano" (né, Sarah?), que eu falo "igual carioca mas sem puxar o esse", e um brother meu do Rio, me disse que eu sou um "carioca caipira" (?!).

Uma vez, uma tiazinha do interior de Minas falou que sotaque de capixaba era bonito, "porque parece com sotaque de novela". Uma observação bem curiosa, porque na televisão ninguém tem sotaque, e é o que mais dizem de capixaba: "capixaba não tem sotaque".

No entanto, conversando com um professor de português uma vez, ele explicava que "não é que capixaba não tem sotaque, mas é que rola um sotaque parecido com o de Brasília", ou seja, é uma cidade no meio do Brasil, que recebeu muita gente de fora, misturou tudo e hoje parece que não tem sotaque.

É tanto, que na BA se fala "arroz e fêjão" e no RJ se pronuncia "arroiz e feijão", e como o capixaba tá no meio dos dois, Vitória juntou tudo e na cidade se fala "arroiz e fêjão".

O que tem de mais marcante entre os capixabas são as gírias. Por receber muita gente de outros estados, o bacana é que o ES é uma verdadeira feira livre de gírias, onde você de repente você ouve alguém falando um "da hora" paulistano, um "eita porra" baiano ou um "guri" do RS, e nem sabe de onde aquilo surgiu. O capixaba incorpora tanta gíria, que palavras como "pocar", "massa véi", "moqueca", "gastura", você ouve pelo Nordeste, mas lá mesmo as pessoas já entendem como gíria capixaba.

Mas tirando por um panorama geral, essa parada de sotaque serve pra ver como que o Brasil pode ser tão diferente, em um raio de 200 metros. Não só no vocabulário, mas no comportamento, modo de se vestir, modo de encarar a vida, culinária... E por aí, a gente entende que esse papo de "o brasileiro é muito 'isso'" ou "o brasileiro é muito 'aquilo'", não tem nada a ver... Pois, se querer criar rótulos ou esterótipos pra pessoas já é um negócio ultrapassado, fica ainda mais tosco em país de dimensões continentais e com tantas diferenças.

Pra fechar, segue aí um glossário das gírias que foram citadas no texto:

VOCABULÁRIO CAPIXABA:
GASTURA = agonia ou aflição com algo irritante, como um arrastar um giz no quadro-negro ou colocar o dedo na pupila.
MASSA VÉI = uma situação ou coisa legal, bacana...
MOQUECA = peixada. Moqueca é algo que parece comum no vocabulário brasileiro, mas tem lugar na Região Sul que as pessoas só entendem peixada.
POCAR = algo como "mandar muito bem", arrebentar, arrasar. Tem origem da palavra "espocar", aí vale também como estourar.

VOCABULÁRIO CARIOCA:
BOTO FÉ = quer dizer "ah, sim! entendi" ou "concordo contigo".
MALUCO = um sujeito qualquer, cara, amigo.
MANERO = mesma coisa do "massa véi" do capixaba.
QUAL É? = algo como "tudo bem contigo?" ou "como vai você?", tipo um "what's up", em inglês.
SAQUEI = "entendi".

VOCABULÁRIO MINEIRO:
BIBOCA = um lugar muito distante e mal habitado, equivale a um "quinto dos infernos", ou "onde Judas perdeu as botas".
MARRADO NO TOCO = equivale a "estou em um beco sem saída" ou "de mãos atadas".
TÔ NA RÔIA = muito ocupado ou em uma situação complicada.
TREM = um objeto ou coisa qualquer.
UAI = tem vários significados. Por expressar "mas é claro", "não me diga?", uma simples exclamação, dúvida em uma resposta, pra concordar com algo, depende do contexto do diálogo.

VOCABULÁRIO PAULISTA:
FIRMEZA (MANO)? = a mesma coisa do "qual é" carioca, "tudo bem contigo?", "como vai você?"...
MANO = quer dizer cara, camarada, amigo...
MÊO (MEU) = a mesma coisa de "mano".
SE PÁ = equivale a algo como "de repente" ou "se der bobeira".

É sempre bom virar o ano refletindo a vida. E pra fechar 2014, deixo pra vocês, logo abaixo, uma leve viagem minha do que ficou de aprendizado nos rolês deste ano, e mais sete citações de célebres pensadores, sendo duas do mestre Dalai Lama, que esse vale a pena ouvir mais de uma vez. Feliz ano novo!

A melhor forma de encontrar caminhos mais simples é parar de insistir tanto em vias tão complicadas. Parece óbvio, até o momento em que você percebe que se acomodou. Se for o caso, relute. E não olhe para trás, nem mesmo adiante. Olhe para os lados, que você terá a oportunidade de avistar a direção mais fácil, um jeito novo de olhar seus destinos, sem se perder. (LUCIANO PORTELA).

"Só existem dois dias no ano que nada pode ser feito. Um se chama ontem e o outro se chama amanhã, portanto hoje é o dia certo para amar, acreditar, fazer e principalmente viver", (DALAI LAMA).

"O relógio está correndo. Aproveite ao máximo o hoje. O tempo não espera por ninguém. Ontem é história. O amanhã é um mistério. E o hoje é uma dádiva; e é por isso que o chamamos de presente", (ALICE MORSE EARLE, escritora norte-americana, 1851-1911).

"A gente sempre deve sair à rua como quem foge de casa,
Como se estivessem abertos diante de nós todos os caminhos do mundo.
Não importa que os compromissos, as obrigações, estejam ali...
Chegamos de muito longe, de alma aberta e o coração cantando"
,
(MARIO QUINTANA, A cor do invisível).

"Devemos usar o tempo com discernimento, para sempre estar atento de que o tempo é sempre oportuno para fazer o justo", (NELSON MANDELA).

"Evitar o perigo não é, a longo prazo, tão seguro quanto a exposição total aos riscos. A vida é uma aventura ousada ou, então, não é nada", (HELEN KELLER, escritora norte-americana 1880-1968).

"Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido", (DALAI LAMA).

Ainda não deu pra completar o mapa de todos os lugares pra ir em Florianópolis (SC), nem tirar foto de tudo, já que às vezes a gente dá o azar de um dia de chuva, mas preparei uma lista aqui que dez lugares pra ir sem decepção, pegar alguma atividade bacana pra passar o tempo e capturar aquele registro de um ângulo legal.


PONTE HERCÍLIO LUZ: já me falaram que "passar por Floripa e não tirar foto da ponte, é como ir ao Rio e não ver o Cristo Redentor". E se você não tem frescura pra "programa de turista", dá uma passada por lá, que o lado esquerdo da ponte tem ângulo bem bonito, com umas árvores e tal, e se você pegar um céu azul como na foto aí, vai perceber que vale mesmo a pena. Se estiver chegando pela Rodoviária, no Centro de Floripa, deixa a bagagem em um guarda-volumes, e passa na ponte, que fica bem perto.




BEIRA-MAR: perto da ponte, a Avenida Beira Mar Norte é pra quem tá procurando um programa mais light pro dia de domingo, algo mais família, aquela coisa de caminhada à toa, e depois passar pra matar a fome em alguma rede fast food ou na praça de alimentação do Beiramar Shopping, ou tomar um sorvete ou lanchar em uma barraquinha (não sei se rola food truck sempre). Mas também se quiser fazer algo diferente, procura o posto que aluga bicicleta, ou o passeio de barco que sai do trapiche, ou descola um skate, patins, que também é um lugar legar pra dar um rolê. Na água, não dá pra tomar banho (é poluída), mas o reflexo que forma na Baía Norte é show, e de quebra ainda tem a vista para a Serra do Tabuleiro, região de morros que fica do outro lado das águas.



JURERÊ: é o lugar mais bombado no verão, com as baladas mais VIPs de Floripa. E por essa fama, é o primeiro lugar que muita gente já chega procurando, mas não crie tanta expectativa, pois é longe e é muito mais bacana pela vibe de relaxar do que pelo visual, e isso na baixa temporada, por que de dezembro a fevereiro é bem muvuca. Não é que a praia não seja bonita, é linda, mas tem outros lugares mais bonitos pra se ver. E como falei da distância, tem que ficar ligado que, caso você não se hospede no norte da ilha, pra chegar até lá vai uma grana, de táxi, ou tempo, com muitas esperas e voltas com o busão (os horários são ruins e não tem app pra ver). Então a dica é procurar algum hostel na Lagoa da Conceição ou no Centro que faça o passeio até lá, partir pelo tour do ônibus panorâmico (o Floripa by Bus) ou juntar uma galera pra alugar um carro e dar o rolê até lá.




SANTINHO: perto de Jurerê, Santinho é outra praia que precisa de algum transporte que não seja o coletivo pra chegar. Também bastante tranquilona, a área tem mais o movimento da galera que se hospeda no resort que cerca a praia, e a graça tá mais em ir até o costão no lado direito, o chamado canto sul, ou pra tirar fotos das rochas e ficar de bobeira ver o mar quebrar, ou pra fazer a trilha, que não é tão desgastante (pra quem não tá habituado ou não tem dispô pra trilhas). Conhecida como Trilha Morro das Aranhas, o passeio vai até a praia de Moçambique.



SANTO ANTÔNIO DE LISBOA: região histórica de Floripa, uma das mais charmosas da cidade, por preservar a arquitetura açoriana, dos tempos que a ilha viveu como colônia portuguesa. Lembra um pouco Ouro Preto ou Paraty, pelo calçamento de pedra, e pelas boas opções de lugares pra comer e beber com estilo. Pra indicar, vá na feirinha de artesanato aos sábados e domingos à tarde, ou pare pra beber uma ali nas mesinhas perto da praia e assistir o sol ir embora entre os barcos. Diferente de Santinho ou Jurerê, é mais fácil pra chegar de ônibus.




LAGOA DA CONCEIÇÃO: a Lagoa da Conceição é meu canto favorito de Floripa, pela variedade, tanto que eu fiz um post falando de um roteiro de um dia só nessa área (clique aqui e leia). Na lagoa mesmo, dá pra fazer um monte de coisa, seja passeio de barco, stand up paddle, kite surf, wake ou fly board, estes dois últimos dependendo de quanta grana que tiver disponível. Na Avenida das Rendeiras, tem restaurantes, bares, casas noturnas, que fecham cedo em baixa temporada, mas nada impede de comprar umas long necks e virar a noite pra ver o amanhecer sentado na marina depois da pontezinha, ou mesmo à beira da lagoa. No centro da Lagoa, mais opções de lanche ou boêmia, e quem se liga em artesanato, a pracinha do centro tem umas paradinhas legais.



MORRO DA LAGOA: chegando na Lagoa da Conceição, tem o mirante Ilhalguma, também chamado de "Mirante do Morro da Lagoa", que tem uma vista completa de toda a região que envolve a Lagoa, Praia Mole, Barra, Joaquina, e no fim de tarde, aquele pôr do sol. E ainda tem ali perto o Kanpai, um japonês estiloso, um pouco caro, mas com um buffet de sushi e temaki da hora, que de repente compensa o gasto, se você gosta muito de comida oriental.



DUNAS DA JOAQUINA: dependendo do dia, o visual é bem louco, como vocês podem ver aí nessa foto que eu tirei em um dia nublado, um ar meio de vídeo clipe de banda de metal no meio do deserto (risos)... Enfim, e dá pra desenrolar um sandboard, meio que um skate ou snowboard nas dunas, o que há de mais divertido pra se praticar no meio desse monte de areia. Dizem que o tombo inicial é inevitável, mas depois que você pega a manha, é bem irado.



PRAIA MOLE: a praia em si, tem umas festas iradas, barracas boas pra parar e tomar uma breja, e o mar com boas ondas pro surf. E no morro, minha melhor indicação de hospedagem que é o Backpackers Sunset, um hostel barato, mas bem estruturado e completo. Parece uma enorme casa de campo, com varadinha, um deque e rede pra se esticar, piscina... Programa passeios pros points da ilha, tem TV paga com Premiere FC, barzinho com boa cozinha e drinks (uma caipirinha free todo dia), excelente atendimento, e a melhor parte de todas que é a vista, que explica o nome do albergue, todo dia com um céu diferente: azul, rosa, laranja, com arco-íris, e até com tempo feio é bonito...



BARRA DA LAGOA: é um lugarzinho bem aconchegante, daquelas vilas de pescador que dá vontade de ficar pra morar. Pra tirar foto, recomendo o canal que liga o mar com a lagoa, ou o mirante que fica entre a Barra e Praia Mole. Pra visitar, tem o Projeto Tamar, e a praia, que todo mundo diz que é boa pra surfista que tá começando, e que tem bons restaurantes e bares, principalmente no quesito preço.


Já viajei sem me programar várias vezes, e apesar daquele lance da descoberta e do imprevisto proporcionar boas histórias, tem hora que o perrengue não compensa, e pior, o prejuízo da grana pode ser grande, então é bom se planejar, começando pela bagagem!

Colocar um mochilão de 80 litros nas costas, abarrotada, e no fim perceber que podia ter levado menos coisa é desagradável, principalmente se a viagem for pra acampar ou com uma companhia que não tão ajuda muito.

Então, pegue caneta e papel, ou melhor, abra uma lista no Google Keep ou o Trello, em seu tablet ou smartphone, e tome nota deste passo-a-passo de como preparar seu mochilão bem antes da viagem, e com o mínimo de falhas.



PASSO 1: PENSE O MOTIVO E O TIPO DE LUGAR:

Pra início de conversa, pense qual o motivo da sua viagem e o tipo do lugar, ou seja, porque você vai e pra onde você vai? E assim, se possível anote, pra ter certeza e noção do que você vai fazer na cidade, qual é o ambiente que você vai encarar, e assim não fique desperdiçando espaço na bagagem com o que você não vai usar.

Por exemplo, se é um lugar que você já conhece, e só vai rever amigos e curtir, pra que levar material pra fotografar? A câmera do celular já basta. Ou se é uma viagem a lazer, pra que levar notebook, tablet ou outro eletrônico que te dê trabalho? Vá interagir com as pessoas e desfrutar o lugar. Se você vai pra Fortaleza ou Salvador, pra que levar um casaco de frio? Leve uma blusa leve pra encarar de repente um vento mais forte do litoral, porque do RJ pra cima, frio é algo cada vez mais raro. Ou pode ser também que você vá em algum evento que exija uma beca mais arrumada, e aí pode ser que uma mala seja melhor mochila.




PASSO 2: FAZER LISTA DE ATIVIDADES E OUTRA COM ITENS DA BAGAGEM

Agora que você captou porque e pra onde você vai, com ao menos um mês de antecedência da viagem*, você vai preparar duas listas: uma com todas as atividades que você imagina que vai fazer, e outra com tudo que vai na bagagem.

As atividades são variadas, e vão depender do roteiro do lugar, de quantos dias de estadia, da estação do ano, do motivo da viagem, entre outros fatores. Mas para os itens da bagagem, você pode recorrer a listas prontas de aplicativos pra arrumar bagagem, como eu detalhei neste post.

* A sugestão tem que ser pra um mês antes mesmo, pelo menos, por que quanto mais esquecido ou desorganizado você for, a tendência é ficar adiando e adiando... Então é melhor admitir a preguiça e estender o prazo.



PASSO 3: EXCLUIR METADE

Anotou tudo? Já tem noção de tudo que você vai levar? Está tudo mesmo na lista? Então agora, antes de sequer por as mãos na mochila, é hora de excluir itens da lista. Por que, na primeira ideia que a gente tem do que levar, a gente pensa pra mais e sempre vão sobrar vários itens supérfluos que ocupariam espaço, e a hora de cortar estes itens é agora, ainda na lista.

PASSO 4: SEPARAR TUDO

Na sequência, reúna tudo que está na lista, em sua cama ou sobre uma mesa, para ter uma noção de todo o volume que os itens vão exigir da bagagem, se preparando para o próximo passo, que é a escolha da bagagem.




PASSO 5: ESCOLHER A BAGAGEM

Com uma noção mínima do espaço que a bagagem vai precisar, agora você escolhe se vai precisar de uma mochila menor, entre 30 e 45 litros, ou no caso de muita coisa e uma estadia muito longa, uma cargueira entre 70 e 80 litros, ou até mesmo optar por uma mala. Sem essa frescura de "mochileiro não usa mala", e olhe esse post pra ver algumas alternativas de mala.

PASSO 6: COMECE PELA ROUPA

Sempre comece a arrumar pela roupa. Isso permite que você acomode melhor e estando por baixo de tudo, as roupas têm menos risco de amassar. Peças leves, como camisetas ou roupa de baixo, dobre ao máximo, e uma outra dica é colocar um grupo de peças de roupa dentro de um gym sack ou uma luva de notebook, pois assim você aperta as peças e encolhe o espaço que elas ocupariam.



PASSO 7: NÉCESSAIRE

Todos os itens de higiene e limpeza pessoal, ou maquiagem no caso das meninas, pedem uma nécessaire, ou uma bolsa qualquer apenas pra isso. E como a bagagem será feita com antecedência, compre itens exclusivos pra viagem, como pasta de dente, sabonete, desodorante, entre outros itens, pra não ter que repôr no dia de sua viagem. E hoje em dia, tem muitos produtos que são vendidos em unidades de menor quantidade, já pensados pra viajar.

PASSO 8: ACESSÓRIOS QUE PODERIAM SER ESQUECIDOS

Entre os espaços que forem sobrando, distribua itens menores ou acessórios que poderiam ser facilmente substituídos no caso de esquecimento, como meias, cuecas, cinto, porta-óculos, toalha...

PASSO 9: DOCUMENTOS E ELETRÔNICOS POR ÚLTIMO

Por último, deixe documentos e gadgets, como smartphone ou tablet, pois são itens importantes que provavelmente serão retirados mais de uma vez da mala ou que você terá que conferir inúmeras vezes, mesmo no dia da viagem, então é melhor ficar sobre tudo, para facilitar o acesso até despachar tudo e verificar o que será levado na bagagem de mão.

Outra também que na hora de fechar a mala ou mochila pela última vez, fica mais fácil de ver se não há nada que possa danificar os documentos e os eletrônicos, como algum líquido, ou outro objeto que arranhe ou suje.

Como longas viagens exigem passatempos mais duradouros, pra quem é fã de Tom Hanks e habituado a baixar filmes pelo smartphone, há alguns filmes inspiradores do ator, que comprovam que ele é um mochileiro nato.

Confira logo abaixo, quatro filmes disponíveis na Apple iTunes, para aplicativos da plataforma iOS, com Tom Hanks em viagens bem alternativas:




NÁUFRAGO (CAST AWAY)
› O Tom viaja de onde pra aonde?
Dos Estados Unidos para uma ilha deserta no Pacífico Sul, próxima à Oceania.
› Tem perrengue pra dizer que é mochileiro?
A viagem não foi NADA planejada. O entregador da FedEx, Chuck Noland (Tom), resiste a um acidente aéreo e fica sozinho na ilha, se alimentando e passando o tempo à base de improviso.
› Volta pra casa quando?
Quando conseguir sair da ilha por meio de uma jangada. Se sobreviver...
› Download?
9,99 dólares na iTunes.




O TERMINAL (THE TERMINAL)
› O Tom viaja de onde pra aonde?
Da Krakozhia, leste europeu, fronteira com a Rússia, até os EUA. Mas nem adianta ir pro Google Maps ou Trip Advisor, porque a Krakozhia é um país fictício.
› Tem perrengue pra dizer que é mochileiro?
O passaporte de Viktor Navorski (Tom Hanks) perde a validade em sua chegada aos EUA e sua entrada na cidade de Nova York é barrada. Como a ideia é ir embora só depois de visitar a Big Apple, qual sua única saída? Morar no Aeroporto Internacional John F. Kennedy.
› Volta pra casa quando?
Assim que conseguir driblar a imigração e visitar um grupo de jazz na cidade, para cumprir uma promessa, e também depois que as coisas se acalmarem na Krakozhia, já que o país sofre um golpe no meio de tudo isso.
› Download?
9,99 dólares na iTunes.


filmes netflix

APOLLO 13
› Viagem de onde pra aonde?
De Houston, nos Estados Unidos, para a Lua.
› Tem perrengue pra dizer que é mochileiro?
A viagem da nave Apollo 13 simplesmente deu origem à frase "Houston, we have a problem!", dita pelo chefe da missão, o comandante Jim Lovell (Tom). Uma explosão na nave que seguia para a Lua causou um vazamento de oxigênio, que consequentemente limitou a respiração dos astronautas, o consumo de água e a geração de energia elétrica. Vale lembrar também que a comida liofilizada comum ao uso de mochileiros é o alimento de astronautas, que exige um processo de reidratação de meia hora antes de comer, além de praticamente não ter sabor ou cheiro em função das condições de ar e de gravidade.
› Volta pra casa quando?
Como a explosão causou fortes danos para a nave, o pouso na Lua e a volta pra casa viraram incertezas.
› Download?
17,99 dólares na iTunes.


Para Mochileiros


FORREST GUMP
› Viagem de onde pra aonde?
O personagem Forrest Gump sai da pequena cidade de Greenbow, Alabama (sul dos EUA), para rodar o mundo. Em sua trip mais marcante, Forrest atravessou os Estados Unidos correndo, na famosa Rota 66 (Route 66) que cruza o país.
› Tem perrengue pra dizer que é mochileiro?
Forrest até que é um cara de sorte, pois consegue estar no lugar certo na hora certa em várias situações, participando de diversos fatos históricos ao lado de John Lennon, Elvis Presley, John Kennedy, entre outros. Mas ao passar pela Guerra do Vietnã, no fim dos anos de 1960, ele é obrigado a encarar o desgosto da luta armada com a dor de ter levado um tiro nas nádegas.
› Volta pra casa quando?
Depois que conta todas as suas histórias no ponto de ônibus, onde aguarda o próximo coletivo que o levará a um encontro com sua paixão de infância, Jenny Curran.
› Download?
9,99 dólares na iTunes.