Mostrando postagens com marcador @roteirodeumdia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador @roteirodeumdia. Mostrar todas as postagens
Na alta do dólar, troque um mochilão pro exterior por viagens pelo Brasil


Essa última semana, o dólar atingiu a maior alta desde 2003, chegando a R$ 3,28, o que complica os planos de muita gente que de repente vinha guardando uma grana só pra isso e agora tem que desistir da ideia. Diante da situação complicada, se não há outra saída e você só pode viajar agora, tente compensar a experiência com uma viagem pelo Brasil, pra conciliar uma equilibrada na grana com a oportunidade de viajar, enquanto dias economicamente (e politicamente) melhores não chegam.

Pode ser que bata aquele pensamento de "já conheci tudo pelo país, não tem mais nada a conhecer" ou "tem coisa no exterior que não se faz no Brasil", mas vou tentar dar a ideia aqui de alguns lugares e atividades que podem substituir um rolê fora do país, ou pelo menos tirar a frustração de não poder fazer o esperado tour na gringa.

Vamos pelo mais óbvio, que é o intercâmbio. Rola intercâmbio no Brasil?? Olha, se sua intenção é explorar o seu inglês, sim... no Rio de Janeiro (RJ)! Bem antes da Copa, o Rio já vinha recebendo mais e mais gringos, ganhando um perfil bem parecido de outras cidades cosmopolitas como Barcelona ou Nova York. Basta você se hospedar em um hostel em Copacabana, Ipanema ou Leblon, que você vai falar muito inglês, mais que qualquer outra língua, com gente dos EUA, França, Austrália, Alemanha, Itália, República Tcheca, Romênia... e quase ninguém do Brasil. Veja opções de albergues cariocas neste link.

Outra experiência que dizem ser impossível ter em outro lugar é um safári na África. Talvez a paisagem e fauna realmente sejam inigualáveis, mas dá pra dizer que o Pantanal tem uma vibe tão exótica e experiências tão vibrantes como na selva africana, caso do safári pra ver jacarés, aves e onças, como você pode ver nesse outro post.



É do surf? Quer ir pro Havaí? Espera mais um pouco... e vai pra Maresias, em São Sebastião (SP), que é a terra do campeão mundial Gabriel Medina, ou pra muitos outros picos por aqui, que chamam a atenção de brazucas e gringos, como Cacimba do Padre, em Fernando de Noronha (PE), Saquarema (RJ), Itacaré (BA), Maracaípe, em Porto de Galinhas (PE), Praia Mole, em Florianópolis (SC), e vários outros.

Mas se seu lance é o clima de Europa... Durante a baixa temporada do inverno, busque as cidades serranas com chalés, o friozinho e a cara de Suíça, como Campos do Jordão (SP), Gramado (RS), Canela (RS) ou Monte Verde (MG). Vale também caçar as cidades colonizadas por pomeranos, povo situado entre a Alemanha e a Polônia que imigrou pro Brasil no fim do século XIX, que tem suas tradições fortemente preservadas em Pomerode (SC) e em Santa Maria de Jetibá (ES).

Inclusive no ES, perto de Santa Maria de Jetibá, tem a cidade de Domingos Martins, que foi colonizada por pomeranos, alemães e italianos. É uma das cidades mais lindas do ES, boa pra beber vinho, fazer trilha, apreciar as montanhas e passear de trem, que segue até Viana, na Região Metropolitana de Vitória.



Quem sonha com um expresso europeu, também pode matar a vontade com o trem que parte de Belo Horizonte (MG) à Vitória (ES). Não é tão rápido ou luxuoso, mas tem suas peculiaridades. Explico mais nesse post.

Quem viaja pensando em arquitetura e costumes, pra substituir a Europa, há que se recomendar Curitiba (PR). O modo de se vestir já é bem europeu, com todo mundo arrumado por causa do frio. A feirinha da Praça da Espanha lembra o Mercado del Rastro, em Madri, enquanto a feirinha do Largo da Ordem pode se dizer que é uma versão tropical da Tiergarten Flohmarkt, de Berlim. E no Largo da Ordem também dá pra perceber a semelhança com a arquitetura de algumas metrópoles alemãs, pelas fachadas e o chão de paralelepípedo nas ruas. Quer sentir um gostinho do que seria visitar um jardim na França? Então passe pelas áreas verdes bens planejadas do Jardim Botânico e da Ópera de Arame. Pra completar, o transporte público funciona muito bem, e salvo a hora do rush, é mesmo modelo e o melhor do Brasil.



Também é possível ter um pedaço da Ásia sob seus pés, na região da Liberdade, em São Paulo (SP). Seria um pedaço da Ásia, ou de Nova York, já que a Liberdade seria uma versão paulistana de Chinatown, seguindo a regra das grandes metrópoles de quase sempre ter um bairro oriental. Na Rua Galvão Bueno, você vê aqueles portais e lanternas orientais bem típicas do Japão e da China, e dentro do bairro, chamam a atenção as lojinhas de produtos orientais (com letreiro em ideogramas) e restaurantes com bastante sushi, temaki, tempura, yakissoba, guioza. Outra ideia é ficar ligado quando rola o ano novo chinês, pra ver as alegorias e cores temáticos, que celebram a virada que ocorre do outro lado do mundo.

Uma foto publicada por Poema Urbano (@poema_urbano) em


São Paulo também serve pra substituir a variedade gastronômica de Nova York ou Tóquio, com restaurantes de comida italiana, portuguesa, árabe, espanhola, argentina, indiana, alemã, grega, francesa, mexicana, tailandesa, coreana, uruguaia, suíça... Aé, tem comida brasileira e pizza também.

Poderia citar Sampa como boa opção de bares, pubs e rock n' roll, mas essa vou deixar pra BH. Já tem uns bons anos, que a capital de MG criou uma vocação pra fazer você se sentir um pouco em Liverpool, com as covers de Beatles como a Hocus Pocus e a Anthology, e até mesmo com Sir Paul McCartney dizendo "uai", em um show de 2013. Fora que Belo Horizonte é uma filial de Seattle, com várias covers de Pearl Jam e Foo Fighters, além do seu lado Los Angeles, o lado Londres, o lado Dublin, o lado Detroit, e por aí vai... Tudo nos principais pubs da cidade: Lord, Jack, Circus, Collins, Stonehenge, Amsterdam, entre outros que você pode ver a programação e pensar em um roteiro nesse link, do site BH Rocking.



Fechando a conta e passando a régua, aos caçadores de cartões-postais, vocês também podem soltar a imaginação que não vão se decepcionar em ver o Maracanã como nossa versão do Coliseu de Roma, o Cristo Redentor que é mais bonito que a Estátua da Liberdade de Nova York, a Ponte Hercílio Luz em Floripa, que supre um pouco a vontade de ver a Ponte de San Francisco (EUA), e quem não vai à Paris (FRA), pode trocar o Arco do Triunfo pelo Monumento aos Expedicionários, em Porto Alegre (RS) ou o Museu do Louvre pelo Instituto de Arte Contemporânea de Inhotim, em Brumadinho (MG), pertim de BH.

Um vídeo publicado por Luciano Portela (@lucianomochileiro) em




Uma foto publicada por Luciano Portela (@lucianomochileiro) em




Uma foto publicada por Luciano Portela (@lucianomochileiro) em


Pra celebrar os 450 do Rio, ao invés de fazer um A a Z da Cidade Maravilhosa, vou desenrolar aqui uma lista do que eu mais curto na cidade, que é o Maracanã, com o perdão da Lagoa Rodrigo de Freitas e do Parque Lage, que também tem certa preferência. Quando você chega no estádio, sente uma energia diferente, um impacto proporcionado pela beleza, pela imensidão e o peso de sua história, então achei que seria uma justa homenagem ao #Rio450, este abecedário de tudo que você precisa saber antes de visitar o Maracanã:

A de ANTIGA GERAL
A antiga geral era o setor popular do estádio, onde as pessoas viam o jogo de pé. Com as reformas na década de 2000, a geral virou o setor das cadeiras inferiores, que agora é o mais caro.

B de BODE CHEIROSO
O Bar Macaense, conhecido como Bode Cheiroso, é um legítimo boteco "copo sujo" (no bom sentido), a 15 minutos (1,9 km) do Maraca. Tem cerveja gelada, caldo de mocotó e sardinha com legumes.

C de COPA DO MUNDO
O estádio foi sede das Copas de 1950 e 2014, sempre recebendo a final. Em 1950, recorde de público, com o registro de 199.854 torcedores, mas relatos garantem que passava de 200 mil.






D de DINAMITE
Ídolo do Vasco e maior goleador do Brasileirão, Roberto Dinamite é o centroavante que mais balançou as redes, com 196 gols. Já na lista de todos os jogadores, Dinamite é o vice-artilheiro.



E de ESTÁTUA DO BELLINI
Situada em frente à rampa do Setor Leste, onde cruza a Avenida Maracanã, a Estátua do Bellini é o principal ponto de referência do estádio. A escultura é de 1960, obra de Matheus Fernandes.

F de FLA-FLU
Disputado 233 vezes no Maracanã, o Fla-Flu é o mais recordado dos 6 maiores clássicos do RJ, pelas cores, pela história, pelas crônicas e por ser sinônimo de rivalidade até em dicionário.

G de GARRINCHA
Na era do "preto e branco", nada foi mais emblemático que os dribles de Garrincha. Para muitos, o maior depois de Pelé, Mané fez do Botafogo, o maior time do RJ na década de 60.






H de HÉLIO GRACIE
Bem antes do UFC, o mestre Hélio Gracie encarou dois judocas no Maracanã, 30 kg mais pesados. Foi na década de 50, que ele confirmou seu ímpeto destemido e as virtudes do jiu-jitsu brasileiro.

I de INVASÃO CORINTIANA
A torcida do Timão invadiu o Maraca no Brasileiro de 1976, com 70 mil corintianos em um público de 146.043, e no Mundial de Clubes de 2000, com 30 mil corintianos no meio de 73 mil pessoas.

J de JOÃO PAULO II
Pontífice da Igreja Católica entre 1978 e 2005, o Papa João Paulo II realizou duas missas campais no Maracanã, durantes suas visitas ao Brasil nos anos de 1985 e 1990.

K de KISS
No dia 18 de junho de 1983, o KISS reuniu 250 mil espectadores na turnê Creatures of the Night, registrando o maior público em shows, tanto da história do Maracanã quanto da história do KISS.

L de LÍNGUA TUPI
A palavra Maracanã tem origem da língua tupi-guarani e quer dizer “semelhante a um chocalho”, xará do maracanã-guaçu, pássaro que antes rondava o local fazendo sons parecidos com de um chocalho.




M de MÁRIO FILHO
Escritor e jornalista, o flamenguista Mário Filho deu nome ao estádio por sua forte ligação e apoio ao projeto no fim da década de 1940. Célebre nas palavras, criou o termo Fla-Flu, em 1933.

“O Fla-Flu é um jogo para sempre, não é um jogo para um século, um século é muito pouco para a sede e a fome do Fla-Flu", Mário Filho (1908-1966).

N de NELSON RODRIGUES
Uma das maiores referências na dramaturgia brasileira, o tricolor Nelson Rodrigues revolucionou a forma de falar de futebol e do Maracanã na crônica esportiva, sendo citado até hoje.

“O Fla-Flu não tem começo. O Fla-Flu não tem fim. O Fla-Flu começou quarenta minutos antes do nada. E aí então as multidões despertaram”, Nelson Rodrigues (1912-1980).

O de OBRAS
Segundo O Globo, a obra inicial custou R$ 235,5 milhões, em valor corrigido. A reforma para o Mundial de 2000 saiu por R$ 106 milhões (cálculo inicial: R$ 52 milhões) e para o Pan de 2007 ficou por R$ 304 milhões (cálculo inicial: R$ 67 milhões). Pra fechar, a obra pra Copa de 2014, com custo inicial de R$ 705 milhões, mas que no fim beirou R$ 1,5 bilhão.



P de PELÉ
Maior jogador de todos os tempos, o Rei Pelé fez lotar o Maracanã com seu Santos muitas vezes. Entre os feitos mais marcantes, os cariocas viram Pelé ser campeão mundial pelo Peixe em 1962 e o seu famoso milésimo gol, em 1969.

Q de QUARENTINHA
No embalo do Botafogo da década de 60, Quarentinha usou a sua forte canhota diversas vezes, entre seus 95 gols que o fizeram maior artilheiro alvinegro no estádio.

R de ROMÁRIO
Neste terreno, a grande área teve um só dono: Romário. Quem viveu a década de 90, não esquece da atuação histórica do Baixinho contra o Uruguai, nas Eliminatórias, quando levou o Brasil para a Copa do Tetra. Jogando pela Seleção e por Flamengo, Fluminense e Vasco, marcou 180 gols neste campo.

S de SINATRA
Se hoje grandes bandas e artistas tocam no Maracanã, agradeçam a Frank Sinatra. Um dos maiores intérpretes da história, Sinatra cantou para 175 mil pessoas em janeiro de 1980, superando a falta de estrutura e abrindo as portas para outros grandes shows no Brasil.




T de TOUR
O Tour do Maracanã é feito todos os dias, de 9 às 17 horas, durando uma hora. Recomendo o tour sem guia, que é mais barato e você pode ficar avistando o gramado por mais tempo. O tour sem guia custa R$ 24, a inteira, e R$ 12, a meia, entre segundas e quintas, e R$ 30, a inteira, e R$ 15, a meia, nos outros dias.

U de UERJ
A Universidade do Estado do RJ é uma mais conceituadas do Brasil, e tem seu campus principal do lado do Maracanã, de onde é possível ter uma vista bacana do estádio.

V de VOZ
Desde o sistema de som, com o saudoso locutor Victório Gutemberg Volpato avisando que "a Suderj informa", até os bordões do radialista Waldir Amaral, dizendo que "o relógio marca", o Maracanã teve várias vozes marcantes que ecoavam ao lado dos cantos das torcidas. Não posso deixar de falar também do meu ídolo José Carlos Araújo e o famoso "apite comigo galera".

W de WALDO
Nenhum outro craque tricolor concluiu mais vezes que Waldo no Maracanã, com um total de 94 gols. Conhecido por sua velocidade e por ser bom de cabeça, Waldo também é o maior artilheiro do Flu, com 319 gols.



X de XUXU
Não disputaram Copa, não ganharam Bola de Ouro, mas fizeram história no Maraca. Falo dos jogadores folclóricos, que merecem uma menção honrosa, como é o caso de Iranildo Xuxu, Super Ézio, Cocada, Fio Maravilha, Odvan, Jacozinho, Quiñónez, Afonsinho, Paulo Borges, Perivaldo, Beto Cachaça, Valdir Bigode, Cafuringa, Obina, Paulinho Criciúma, Bujica, Mauricinho, Dimba, entre outros que trazem aquela nostalgia bacana.

Y de YOU COULD BE MINE
Em 1991, o Guns N' Roses lançou a turnê Use Your Illusion no Rock In Rio 2, pra 180 mil pessoas, com setlist inédito que incluía You Could Be Mine, trilha do filme Exterminador do Futuro 2.

Z de ZICO
Rei do Maraca, Zico brilhou com a camisa 10 do Flamengo e se tornou artilheiro do estádio com 333 gols, a maior parte deles agraciados por seus "reflexos lúcidos, dribles desconcertantes e chutes maliciosos", como descreve a canção "Camisa Dez da Gávea" do mestre Jorge Benjor.

No meio dos diferentes modos do brasileiro falar, os sotaques da Região Sudeste são os mais fáceis de identificar e aqueles que mais mudam de um estado pra outro, com exceção do ES, que eu vou explicar no fim.

Quando você ouve um mineiro, carioca ou paulista falando, já saca de primeira quem é quem. E eu fui perceber isso nas primeiras vezes que fui pra fora do sudeste, seja no nordeste e ou no sul.

Viajando, você confunde sotaque de baiano e cearense, vê uma jeito parecido entre gaúcho e catarinense... Porque eles misturam vocabulário, muitos trejeitos são os mesmos, e até a levada das palavras, coisa que não rola no sudeste, onde acontecem algumas particularidades de cada região.




Como uma vez em que fui pro Rio, e como tem muito gringo por lá agora, galera fala tudo em inglês... Eu chegando no meio de uma roda de conversa num bar, ouço a menina dizer "Why?"... E penso: "Ela disse 'why'? Ou eu ouvi mesmo um 'UAI'?!". Falei com a menina, ela caiu na gargalhada e confirmou ser mineira, além do orgulho do "uai". E ela tinha um inglês perfeito, mas foi impossível não perceber o sotaque.

Assim como o "qual é?" (no Whatsapp vira "koeh") do carioca ou o "firrrmeza" do paulistano, o "uai" mineiro é inconfundível. E além de ser o mais gostoso de se ouvir e falar, o vocabulário mineiro é o mais criativo, com alguns termos que só mineiro entende, como é o caso do "trem".

"Trem" é meio que um sinônimo de "coisa" em MG, ou seja, tudo é "trem", inclusive dentro do trem. Uma vez esperando o trem partir em BH, ouvi o camarada carregar uma mala cheia e dizer: "esse trem tá pesado!". Brinquei na hora: "peraí!? Mas qual 'trem' tá pesado? É a mala ou o trem??!"... E essa aí até dava pra entender, mas o difícil é entender o que é "marrado no toco", "biboca" ou "tô na rôia"...



Em algumas viagens, também percebo um lance legal que rola em carioca e o paulista da capital, chamado de paulistano. O pessoal de SP e do RJ não percebe que tem sotaque.

Já cheguei uma vez em um hostel de Salvador, e começando a conversar com uma menina, pergunto: "você é paulistana?". Ela não entendeu como eu percebi, e disse que sentia não ter sotaque.

Pois bem, expliquei que já tinha matado a charada quando ela disse "meeeooo" (meu), mas tem uma peculiaridade do sotaque paulistano que é a ênfase nas vogais "E" e "O", e nas consoantes "N" e "T" (além de puxar um pouco o "R"). Dá pra perceber bem quando falam em gerúndio, tipo "entendêndo", "atendêndo"...

E esse jeito de paulistano falar é bem interessante, porque é quase que uma viagem pra Itália ou um mergulho na história, no período em que a cidade recebeu muitos imigrantes. Essa ênfase que eu falei, você escuta quando um italiano fala. É "caspiTa", "malÊdÊTo", "ma cÔmÔ", "bÔm giÔÔÔRRno. O clássico "meeeooo" é muito Itália.




Agora, também é compreensível o paulistano ou o carioca não perceber que tem sotaque, porque as gírias de São Paulo ou do Rio são muito difundidas. Brasil afora, muita gente já incorporou o "mano", o "se pá" ou o "sussa" de Sampa, e também o "manero", "saquei" e o "boto fé" do carioca... Mas ainda assim, a entonação nas duas cidades é quase que única.

Mas digo a vocês também, que se tem uma gíria carioca que é só carioca, é o tal do "maluco". Certa vez, tava em um bar no Largo da Ordem com um carioca, lá em Curitiba, e ele comenta de um "maluco" gritando na rua. O cara tinha pinta de maluco mesmo, gritando pro nada: "Joãããooo, cadê vocêêêê?". Mas aí, o carioca chama o garçom "ô maluco!", me chama de "maluco", chama o taxista de "maluco", e aí um uruguaio quis entender qual era do "maluco", e o carioca explicou que "maluco" era gíria para "cara", "camarada", e por aí vai.

E pra mim, essa é a grande vantagem do carioquês, que o carioca fala sem frescura e sem medo de ser politicamente incorreto. E o melhor, por não ter frescura, carioca fala palavrão pra c******, levando numa boa. Já vi tiazinha chique de Copacabana falando no supermercado "me dá aqui essa bu****", sem a menor encanação ou sem a intenção de ser mal educada...



Mas quanto ao capixaba... É uma verdadeira incógnita. Eu sou capixaba, e já me disseram que eu falo "cantando igual baiano" (né, Sarah?), que eu falo "igual carioca mas sem puxar o esse", e um brother meu do Rio, me disse que eu sou um "carioca caipira" (?!).

Uma vez, uma tiazinha do interior de Minas falou que sotaque de capixaba era bonito, "porque parece com sotaque de novela". Uma observação bem curiosa, porque na televisão ninguém tem sotaque, e é o que mais dizem de capixaba: "capixaba não tem sotaque".

No entanto, conversando com um professor de português uma vez, ele explicava que "não é que capixaba não tem sotaque, mas é que rola um sotaque parecido com o de Brasília", ou seja, é uma cidade no meio do Brasil, que recebeu muita gente de fora, misturou tudo e hoje parece que não tem sotaque.

É tanto, que na BA se fala "arroz e fêjão" e no RJ se pronuncia "arroiz e feijão", e como o capixaba tá no meio dos dois, Vitória juntou tudo e na cidade se fala "arroiz e fêjão".

O que tem de mais marcante entre os capixabas são as gírias. Por receber muita gente de outros estados, o bacana é que o ES é uma verdadeira feira livre de gírias, onde você de repente você ouve alguém falando um "da hora" paulistano, um "eita porra" baiano ou um "guri" do RS, e nem sabe de onde aquilo surgiu. O capixaba incorpora tanta gíria, que palavras como "pocar", "massa véi", "moqueca", "gastura", você ouve pelo Nordeste, mas lá mesmo as pessoas já entendem como gíria capixaba.

Mas tirando por um panorama geral, essa parada de sotaque serve pra ver como que o Brasil pode ser tão diferente, em um raio de 200 metros. Não só no vocabulário, mas no comportamento, modo de se vestir, modo de encarar a vida, culinária... E por aí, a gente entende que esse papo de "o brasileiro é muito 'isso'" ou "o brasileiro é muito 'aquilo'", não tem nada a ver... Pois, se querer criar rótulos ou esterótipos pra pessoas já é um negócio ultrapassado, fica ainda mais tosco em país de dimensões continentais e com tantas diferenças.

Pra fechar, segue aí um glossário das gírias que foram citadas no texto:

VOCABULÁRIO CAPIXABA:
GASTURA = agonia ou aflição com algo irritante, como um arrastar um giz no quadro-negro ou colocar o dedo na pupila.
MASSA VÉI = uma situação ou coisa legal, bacana...
MOQUECA = peixada. Moqueca é algo que parece comum no vocabulário brasileiro, mas tem lugar na Região Sul que as pessoas só entendem peixada.
POCAR = algo como "mandar muito bem", arrebentar, arrasar. Tem origem da palavra "espocar", aí vale também como estourar.

VOCABULÁRIO CARIOCA:
BOTO FÉ = quer dizer "ah, sim! entendi" ou "concordo contigo".
MALUCO = um sujeito qualquer, cara, amigo.
MANERO = mesma coisa do "massa véi" do capixaba.
QUAL É? = algo como "tudo bem contigo?" ou "como vai você?", tipo um "what's up", em inglês.
SAQUEI = "entendi".

VOCABULÁRIO MINEIRO:
BIBOCA = um lugar muito distante e mal habitado, equivale a um "quinto dos infernos", ou "onde Judas perdeu as botas".
MARRADO NO TOCO = equivale a "estou em um beco sem saída" ou "de mãos atadas".
TÔ NA RÔIA = muito ocupado ou em uma situação complicada.
TREM = um objeto ou coisa qualquer.
UAI = tem vários significados. Por expressar "mas é claro", "não me diga?", uma simples exclamação, dúvida em uma resposta, pra concordar com algo, depende do contexto do diálogo.

VOCABULÁRIO PAULISTA:
FIRMEZA (MANO)? = a mesma coisa do "qual é" carioca, "tudo bem contigo?", "como vai você?"...
MANO = quer dizer cara, camarada, amigo...
MÊO (MEU) = a mesma coisa de "mano".
SE PÁ = equivale a algo como "de repente" ou "se der bobeira".

Por ser um destino rústico e incomum, Machu Picchu às vezes deixa um pouco de confusão na hora de se planejar, com muitas informações desencontradas, até mesmo durante o mochilão. Assim, é necessário se informar bem antes de viajar, e por isso agrupamos algumas questões que pairam no ar, com detalhes importantes a respeito de como chegar no Santuário Inca:

Dá pra fazer o mochilão todo por conta própria e sozinho?
Não. Algum momento você vai precisar de gente e de companhia. Pode ser um guia, que vai se fazer necessário pra explicar os pontos mais importantes; ou alguém pra acampar caso você faça a Trilha Inca completa; ou dependendo das suas condições financeiras, vale dar uma avaliada nestes pacotes ou excursões de agências, na dúvida é melhor comparar e pesquisar. Enfim, para todos os casos? Vai pra Machu Picchu? Então busque fóruns, grupos de Facebook, blogs, tudo pra se cercar ao máximo de informação e auxílio.




Eu vou visitar "a cidade de Machu Picchu"? Existe a cidade de Machu Picchu?
Machu Picchu não é sempre abordada como uma cidade. A divisão administrativa do Peru mistura um pouco as nomenclaturas, e desta forma, Machu Picchu Pueblo é tido como um distrito, mais conhecido como Águas Calientes. O distrito fica dentro da província de Urubamba, localizada na região de Cusco. E entenda que, basicamente, o que todo mundo quer ver mais é o Santuário Histórico de Machu Picchu, que é onde se situam a montanha de Huayna Picchu e a Cidade Sagrada, que são os pontos principais.

machu pichu

Existe aeroporto de Machu Picchu ou de Águas Calientes?
Não. Pra ir de avião, você tem que pesquisar voos pra cidade de Cusco, até o Aeroporto Internacional Alejandro Velasco Astete (CUZ), que fica a cerca de 112 quilômetros de distância do Santuário Histórico. Vale ressaltar que Cusco obrigatoriamente vai entrar em seu roteiro, mesmo que você invente uma forma de ir que não seja de avião.

Quanto custa uma passagem de avião do Brasil pra Cusco?
Em circunstâncias normais, o voo de ida e volta, do Aeroporto de Cumbica (GRU), em Guarulhos (SP), até Cusco, gira em torno de 980 reais, de acordo com os sites Skyscanner e Decolar.

Depois de chegar em Cusco, pra onde eu vou?
Da cidade de Cusco, você pega uma condução até a cidade de Poroy, que é onde fica a estação de trem que vai até Águas Calientes. Lá, você pode subir a pé, a montanha onde fica o Santuário Inca, levando cerca de uma hora e meia. Mas também existe um ônibus que faz a trilha em vinte minutos. O ônibus sai de dez em dez minutos da parada.

Tem que comprar ingresso pra visitar a Cidade Sagrada?
Sim. O Santuário Histórico funciona das 6 até as 17 horas, e é necessário comprar o ingresso no site MachuPicchu.gob.pe. O preço é de 40 dólares. Se não conseguir comprar no site, tente comprar em Cusco ou quando chegar em Águas Calientes. Segundo o blog SOS Viagem, "não há vendas no local", então adquira a entrada com antecedência.




Onde se hospedar, caso queira conhecer Águas Calientes ou Cusco? Tem albergue?
Clique aqui para ler um post a respeito de onde ficar em Machu Picchu. Preparamos uma lista com as dez melhores opções de hospedagem, incluindo hostels ou B&B, no povoado de Águas Calientes e na cidade de Cusco.

Há algum risco de passar mal por causa da altitude?
Sim. Mas tomando os cuidados necessários, não há com que se preocupar. A questão é que a Cidade Sagrada fica a 2.056 metros acima do nível do mar, o que resulta na exposição à baixas condições de pressão de oxigênio, gerando um mal-estar conhecido como "mal de altitude", dependendo do metabolismo de cada um. Em espanhol, o problema é chamado de "soroche", "apunamiento" ou "mal de montaña". Para evitar, é recomendado beber bastante líquido, e chegar um dia antes em Águas Calientes para se aclimatar. Clique aqui para dicas mais aprofundadas.

Qual a melhor época para viajar até Machu Picchu?
Os períodos sem tanto tumulto e com as melhores condições de tempo são os meses de abril, maio, junho, setembro e outubro. Se for em outra época, é quase certo que você tenha que lidar com chuva ou muvuca, todos os dois péssimos se sua intenção é visitar pra tirar fotos.
Barcelona (ESP) é uma cidade tão diversificada, que você se satisfaz com qualquer programação. Na cidade de 98 km² e 73 bairros, é bem difícil descartar alguma atividade.

Em um roteiro de um dia na capital da província da Catalunha, tem que se aceitar que ao passar menos de três dias na cidade, você vai deixar muita coisa pra trás.

Dentro das circunstâncias, liste o que há de essencial e divida o passeio em quatro escalas: apreciar Gaudí, guardar Messi na memória, ver o Mar Mediterrâneo e badalar.




ROTEIRO DA MANHÃ: Sagrada Família até a Casa Battló;
Ponto de partida? Metrô Sagrada Família;
Destino final? Metrô Passeig de Gràcia;
Tempo de duração? Em torno de quatro horas (9-13h).


Comece o dia bem cedo, pra desvendar arquitetura modernista e as obras do arquiteto Antoni Gaudí, com a Sagrada Família e os prédios do Passeig de Gràcia, na Dreta de l'Eixample.

Viagem pela Europa

A Sagrada Família é mega concorrida e imperdível. Local mais visitado da Espanha, o "castelinho de areia" simultaneamente neogótico e modernista desperta encanto e curiosidade de muitos, chega a gerar fila pra ver o lado de dentro da basílica. Assim, é bom ir antes de abrir às 9 horas, pra ver a fachada com calma e entrar enquanto ainda está mais vazia.

Onde fica a Sagrada Família? Carrer de Mallorca 401 (funciona de 9-18h).
Quanto custa a entrada? 12 euros.



Já no Passeig de Gràcia, mais traços marcantes do modernismo. Em uma só tacada, você pode admirar as fachadas da Casa Battló e da La Pedrera, ambas de Gaudí; os postes com motivos florais, de Pere Falqués; e a fachada da Casa Amatller, de Domènech i Montaner.


ROTEIRO DA TARDE CAMP NOU: Camp Nou Experience;
Ponto de partida? Metrô Collblanc;
Destino final? Metrô Collblanc;
Tempo de duração? Em torno de três horas (14-17h).


A segunda parada pode ser o Camp Nou Experience, que rola dentro e ao redor do estádio Camp Nou, onde você pode entender o que existe por trás do FC Barcelona, pra torná-lo um clube tão vencedor.


A parte principal é o Museu FCB. Lá, Messi é protagonista. Mas você pode também também ver muitos detalhes das passagens de Romário, Rivaldo, Ronaldinho, entre outros.

Outros pontos altos do tour são os troféus da Uefa Champions League no museu, a loja oficial do Barça com um visual irado e a visita à beira do gramado do Camp Nou, um sonho pra quem ama futebol.

Onde fica o Camp Nou? Carrer d'Aristides Maillol s/n (funciona de 10-20h).
Quanto custa a entrada? 23 euros.


ROTEIRO DA TARDE BARCELONETA: Praia de La Barceloneta;
Ponto de partida? Metrô Ciutadella-Vila Olímpica;
Destino final? Metrô Forum;
Tempo de duração? Em torno de quatro horas (18-22h).


Curte praia? Então depois siga até o balneário de La Barceloneta pra ver o Mar Mediterrâneo. Volte rumo ao Passeig de Colom, tire uma foto da marina, dê um rolê pelas ramblas e feche com um sunset na Plaça de Catalunya, ufa! Tudo isso no mesmo caminho.


Vale lembrar que a noite chega tarde em Barcelona, depois das 22 horas na primavera e no verão, assim dá pra curtir a praia por muito tempo.


ROTEIRO DA NOITE PLAÇA REIAL: Bares do Barri Gótic;
Ponto de partida? Metrô Liceu;
Destino final (*)? use o app Easy Taxi ou tente uma carona no app Uber;
Tempo de duração? À vontade (a partir das 23 horas).


ROTEIRO DA NOITE LA BARCELONETA: Clubes de La Barceloneta;
Ponto de partida? Metrô Ciutadella-Vila Olímpica;
Destino final (*)? Easy Taxi ou Uber;
Tempo de duração? Como você preferir (a partir das 23 horas).


(*) O metrô fica à disposição 24 horas no sábado; na sexta, funciona das 5-2h; e de segunda à quinta, e no domingo, das 5-0h.

Durante a noite, as boas opções se concentram pela Plaça Reial, no Barri Gótic, pra quem quiser beber e gastar pouco, ou volte à La Barceloneta, se estiver na vibe de cair na pista pra dançar.

Situado no el Gótic, o pub Temple Bar é muito agradável, barato, tranquilo, tem futebol ao vivo, ótimo pra parar e beber uma Estrella Damm ou Moritz, um pint irlandês de Guinness ou experimentar um dos coquetéis de cerveja. Também tem comida mexicana.

Perto do Temple Bar, com um perfil mais agitado, há o Polaroid Bar, bom pra madrugar ouvindo um rock latino e bebendo "cervesa català" barata. A decoração do lugar é a cara de Barcelona, com o espírito "anos oitenta" que a galera nativa abraça, no vestuário e no som.

Onde fica o Temple Bar? Carrer de Ferran 6 (funciona de 16-3h).
Preço médio? na faixa de 15 euros.


Onde fica o Polaroid Bar? Carrer dels Còdols 29 (funciona de 19-2:30h).
Preço médio? na faixa de 15 euros.


Ao preferir alguma casa noturna ou lounge, saiba que a grana vai embora fácil. Mas um pouco mais acessível que as outras, em La Barceloneta, rola o Carpe Diem, também conhecido como CDLC, que tem uma pegada meio indiana no ambiente com estátuas de deuses hinduístas, muitas luminárias, mesas ao ar livre e DJ. Pra consumir: alguns drinks, cerveja mexicana Coronita, muito sushi e sanduíche estilo wrap.

Onde fica o Carpe Diem? Pg. Marítim de la Barceloneta 32 (funciona de 12-3h).
Preço médio? na faixa de 40 euros.
Hoje é a véspera da final da Uefa Champions League entre dois times de Madri, e como coincidiu que eu já viria pra Espanha nessa época, decidi passar pela cidade para torcer e visitar o meu time em La Liga: o Real Madrid.

Essa é a segunda vez que eu visito o estádio Santiago Bernabéu, só que dessa vez eu escolhi um horário ruim, pois é o último horário do Tour Bernabéu (19:30h), e os monitores dão uma apressada pra dar tempo de ver tudo.


Mas mesmo rápido, vale a pena. Os troféus, antigos uniformes, telões contando a trajetória do clube, documentos e objetos históricos, as Bolas de Ouro de Figo, Zidane, Ronaldo Fenômeno e Cristiano Ronaldo, está tudo em exposição, no Museu do Real Madrid, dentro do estádio.


A parte mais emocionante sem dúvida fica nas arquibancadas e no banco de reservas, onde dá pra ficar bem perto do gramado. Só é ruim pra tirar foto. Na primeira vez que vim, tinha o sistema de aquecimento da grama no meio do gramado, e desta vez, um telão, pra passar a final da Champions.







Pro final do Tour, tem a loja com itens difíceis de achar no Brasil, como flâmulas e cachecóis (eu comprei um da final nas bancas pela rua), e vale tirar um tempo pra apreciar a arquitetura o estádio, que parece uma nave.

O ticket de entrada do Tour Bernabéu custa 19,90 euros, e o museu abre de 10:30h às 19 horas, entre segunda e sábado, e de 10:30h às 18:30h, em domingos e feriados. Em dia de jogo tem o tour, mas até cinco horas antes da partida.

Vale registrar que é bem difícil achar ingresso pra jogos da liga ou da Champions, que são vendidos antecipadamente. Pra comprar, ou você gasta uma fortuna com cambista, ou compra ingresso de fase mata-mata.


Eu vou assistir a final da Champions em um pub perto da Praça de Cibeles, por que o confronto acontece em Lisboa, e eles não vão transmitir o jogo em local público. Motivo? Evitar conflitos de torcida, pois esse papo de país civilizado não tem torcida é mito...

Os torcedores do Real Madrid são maioria, e a maioria é turista, ou seja, japoneses, indianos e brasileiros (como eu), que não fazem ideia dos cantos do clube, por mais fánatico que seja por futebol... Admito que legal mesmo são os torcedores do Atlético de Madrid, que vão mandando os cantos da torcida onde quer que você cruze com eles.



Estação a caminho dos merengues #RealMadrid #HalaMadrid

Uma foto publicada por Luciano Portela (@lucianomochileiro) em